EDIÇÃO #03 - Rima com Rima


O que podem ter em comum uma menina que derruba estrelas, um menino cantador que desafia o Diabo, a descoberta do Brasil (vista de uma maneira única) e a Guerra de Canudos?

Uma das principais batalhas da história do Brasil serviu de inspiração para o multitalento de Cristiano Taioque produzir um trabalho peculiar, principalmente pela proposta do formato - o Cordel, estilo popular de literatura muito difundido a partir do Nordeste brasileiro. Os temas iniciais são de seus três livros prontos.

A fixação pela história da Guerra e seu líder popular Antonio Conselheiro levou à leitura de vários livros que contavam a saga do povo nordestino. Assim, Taioque se aprofundou no conhecimento de uma parte muito rica da cultura brasileira e a paixão por essa cultura tomou sua alma, bem ao estilo emocional, tão característico do Cordel. “Me interes-so muito pela cultura nordestina. Gosto de ouvir a formade falar a música, que é semelhante à forma como escrevo. No Cordel, o jeito de se transportar as palavras empolga crianças e adultos. A leitura é ágil e mágica. Possui um formato teatral, com gestuais que fazem parte da maneira como se conta a história.”

Antes mesmo de escrever os três livros - o quarto, "O tesouro do vaqueiro", está praticamente pronto - Taioque compôs letras e melodias que narram a saga dos guerreiros nordestinos, apoiado em outros dois de seus talentos - composição e desenho, já que Cristiano também é músico.

O primeiro Cordel foi o “Duelo do Diabo e o menino cantador”, para o autor, o mais difícil, mesmo depois de estudar muito sobre o estilo literário e suas possibilidades de formato (Taioque usa a sextilha). Depois vieram "O Sonho Luso Tupiniquim" e a "Menina que derrubava estrelas", histórias emocionantes, criativas e envolventes.

Outra característica do trabalho de Taioque, também típica do cordelismo, são as mensagens contidas nas histórias - esperança, perseverança, ingenuidade e fé arraigada estão em todas as linhas do seu trabalho. Receita que ele encaixa em temas contemporâneos e mais próximos da cultura desta parte do país.

“O único vínculo é a forma de escrever do cancioneiro popular, a matemática dos versos, mas os temas são livres”.

Parte de seu trabalho poderá ser conhecido durante as comemorações pela Semana do Nordestino que a Casa da Cultura promove neste mês de agosto. “Tão importante quanto escrever, será publicar e divulgar esse meu trabalho, por isso, a idéia de fazer parte das comemorações pela Semana Nordestina, que a Prefeitura promove, através da Casa da Cultura foi muito importante para mim”.

Aliás, espaço para divulgação dos talentos lençoenses é um assunto complexo na opinião do autor, que vê na questão financeira a principal dificuldade. “A gente sabe que existem muitos projetos, muito talento,masé difícil para todos conseguir financiamento para divulgação, já que os recursos para a cultura são limitados, em qualquer lugar.”

Para vencer as barreiras, que impedem que o talento lençoense saia da gaveta, Taioque opina que é necessário o básico correr atrás e acreditar, seja qual for a forma como se expressa esse talento nas artes plásticas, música, desenho ou outros.
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