Uma das vítimas foi um homem de 26, morador de Botucatu (52 quilômetros de Lençóis Paulista). A vítima, que não teve o nome divulgado, começou a apresentar febre, dor de cabeça, náusea, vômito, tosse e congestão nasal no dia 1º de julho e morreu no dia 10, no Hospital de Clínicas de Botucatu.
Apesar do turbilhão de informações e da tristeza causados pela doença, para o mexicano Oscar Amilcar Salcido da Rosa, 32 anos, licenciado em Ciências da Informação, e Coordenador de Desenvolvimento Comunitário e Comunicação, há três anos, em Ciénega de Nossa Senhora, em seu país, mais do que afetar a saúde da população, a gripe inicialmente chamada Mexicana, causou maior impacto na economia nacional, ao gerar ainda mais incertezas em meio à crise internacional. “(A gripe) afetou o setor turístico nacional e internacional na temporada de maior importância, freou o comércio e a confiança dos mexicanos”.
Além de afetar fortemente a economia mexicana, a gripe suína, por pouco, não se transformou em mais uma lenda fantasiosa, servindo a interesses perversos de políticos locais. Por isso, Amílcar compara o efeito da gripe suína as trágicas conseqüências, em 1995, causadas por um ser mitológico que chupava sangue e que assolou o campo mexicano, se tornando a notícia de maior importância da época, “deslocando e ocultando verdadeiros escândalos econômicos e políticos do governo. A idéia de outro complô em massa surgiu apoiada por correntes de correio eletrônico, que sugeriam e descreviam pactos secretos sobre a venda de petróleo mexicano, entre outros escândalos”.
Infelizmente, para mexicanos, brasileiros, e todo o resto do mundo, o vírus H1N1 existe, e ainda deve fazer incontáveis vítimas.

O mexicano, que falou por e-mail, com a Megazzine sobre a realidade da região onde reside e trabalha é natural da cidade de Torreón Coahuila e sua atual ocupação tem permitido estar próximo a natureza exuberante do lugar. “Neste lugar afastado não existem comodidades próprias das grandes cidades, mas isso nos permite observar de outro ângulo, e com relativa distância, a situação de crise de nosso país e do mundo”.
Oscar diz que não conhece ninguém que tenha sido atingido pelo H1N1, e lamenta a forma como compatriotas mexicanos estão sendo tratados em outros países, já que a coragem demonstrada pelo seu povo, frente à ameaça da gripe, surgida no país e desconhecida pelo resto do mundo é motivo de respeito . “Na cultura mexicana, como em muitas outras, alguns trataram de explicar esse gosto desafiante que se tem pela morte. No entanto, a voz popular foi de que: se não morro de Influenza, em casa, morro de fome se fico preso sem trabalhar”.
Essa foi a idéia, segundo Oscar, que moveu e move o povo mexicano todos os dias à sua rotina, nas grandes cidades ou nos cantos remotos._

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