Depois de 28 anos sem visitar a cidade de Borebi, uma mulher moradora de Bauru sonha com a avó, que lhe pede para voltar à cidade de seus antepassados. O fato nada teria de estranho, caso os sonhos da neta não fossem raros, e caso, no dia anterior, no cemitério municipal de Borebi, os restos mortais da idosa não tivessem sido recolocados, depois da demolição de sua antiga morada final.
Essa é a história mais curiosa de que Cid Napoleone se lembra desde que começou a dar “novos endereços” aos moradores dos jazigos em ruínas dos cemitérios das cidades da região. Agudos, Borebi e Paulistânia, além de Lençóis Paulista (onde tudo começou) estão na lista de Cid.Seu trabalho consiste na criação e implantação de uma legislação municipal própria (serviço funerário) através da aprovação da Câmara, levantamento e identificação dos jazigos em ruína (com laudo de engenheiro responsável), localização de familiares, divulgação de editais na imprensa, formação de um cadastro digital dos dados referentes aos mortos e, finalmente, retirada dos restos mortais dos falecidos e demolição completa dos túmulos, cujos terrenos voltam a pertencer ao município, com a revogação da concessão de uso.
Em Borebi, foram identificados 78 túmulos em situação de ruína. Apenas duas famílias se interessaram em restaurar e manter seus familiares enterrados nos mesmos endereços. Quando a família não expressa esse desejo, os despojos são colocados em um ossário, como o que foi instalado em uma capela muito antiga, restaurada pela própria prefeitura, para servir a essa finalidade.
O túmulo mais antigo, identificado em Borebi é de Jesuíno Ferreira dos Santos, sepultado em 1900.
Segundo seu levantamento, a falta de espaços em cemitérios municipais é um problema que vem sendo enfrentado pelas prefeituras há muito tempo. Embora atualmente o número de mortos seja imensamente menor, em municípios como Borebi, morriam muitas pessoas até algumas décadas. Como em 1934, quando foram 142 pessoas enterrados em apenas um ano (hoje, a média é de oito mortos), a maioria natimortos, de famílias carentes, que deveriam ocupar o espaço por, no máximo, cinco anos, mas há mais de 70 anos permanecem no mesmo endereço.
> LEIA A MATÉRIA "AMIGO DOS MORTOS" NA ÍNTEGRA NA EDIÇÃO #04 DA REVISTA MEGAZZINE: JÁ NAS RUAS DA REGIÃO!
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