EDIÇÃO #05 - Restaurando a Fé

Há quase trinta anos Ivone Maria Silva Paccola recupera a beleza exposta em peças sacras. A artista é referência em restauração de quadros e imagens de santos, em toda região.


Mulher obstinada e persistente soube esperar o momento de se dedicar à sua paixão – a arte. Esperou que os filhos estivessem independentes e buscou cursos de qualificação e aperfeiçoamento. O estudo a aproximou das telas, onde expressa seu estilo preferido, o acadêmico. Mas, nem mesmo as artes plásticas dão tanta satisfação à artista quanto à restauração das peças sacras, o que mais gosta de fazer. Anjos, santos e santas estão em todos os cômodos de sua casa, como se para restaurar a fé de quem conhece o trabalho da artista.


Sensível, Ivone ainda hoje se emociona ao superar seus próprios limites, conseguindo recuperar peças que ela mesma julga impossíveis de serem restauradas. 


Eu sou mesmo persistente, porque conforme chegam algumas peças aqui, eu digo - ‘pode levar de volta que isso não tem concerto’ – mas, aí a gente fica analisando o que pode ser feito, se vai ficar bom ou não, e no fim fica linda parecendo que saiu da fábrica”, comenta


Um exemplo que não se esquece vem de São José do Rio Preto, de onde lhe trouxeram a imagem de Nossa Senhora das Dores para que ela recuperasse. Segundo a artista, a imagem foi retirada de dentro de caçamba de entulhos, depois de ser removida da praça de uma igreja da cidade. A imagem não tinha pescoço e estava verde de musgo. “Quando o cliente trouxe a imagem, eu disse que parecia um tronco de árvore. Foram três meses no sol para secar, de noite recolhia para passar uma massa que a fizesse ficar em pé. Foi muito trabalho. A imagem tem 1,70 metros. Quando meu cliente levou de volta, o padre queria até comprar a imagem restaurada”, contou.

O reconhecimento de seu talento ultrapassa fronteiras distantes, tanto que Ivone chega a recusar trabalhos, por não conseguir dar conta das entregas. Mesmo assim, o volume de trabalho não assusta a artista, que não pensa em parar, mas já começa a pensar em deixar seu legado para um dos familiares. “Gosto muito do que faço, mas estou ficando cansada”, confessa, mas sem se afastar do “banquinho” companheiro de trabalho.

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