EDIÇÃO #05 - Lata Mágica

Tânia Morbi 


As mãos são ágeis, rápidas e precisas. Ao fundo, o som é rock’n roll. Por todos os lados estão as latas de tinta spray, fogo, moldes, papel  e muita criatividade. Quem empunha as latas é um argentino. Sentado no meio do pátio de uma escola, e observado pelos olhares curiosos dos alunos, Luciano Genarro, 31 anos, produz telas com uso da aerografia em papel duplex.


O artista nasceu em Rosário, mas há muitos anos é um cidadão do mundo. O talento artístico, o gosto pela filosofia e a alma livre herdou da mãe, professora de artes. Aos trezes anos saiu de casa pela primeira vez, para experimentar o que se tornou uma de suas grandes paixões - viajar livremente por aí. Há 23 anos vive da arte da aerografia artística, sua outra paixão. 


“Para mim o mundo existe dentro da arte, fora dela, não existe nada”. 


O estilo é próprio e sua técnica é inspirada pela geração psicodélica (Beatles, Pink Floyd). Genarro é falante, e se preocupa em transmitir a importância de se desenvolver o lado esquerdo do cérebro, principalmente entre crianças e adolescentes, por isso lamenta a pouca importância que o Brasil dá à Educação Artística nas escolas de ensino regular, e opina que a América Latina tem muito o que aprender com países europeus, quando o assunto é cultura e respeito a arte.  Genarro encontrou seu endereço entre a liberdade e a arte. O endereço é certo, mas não definitivo, porque Genarro ama a liberdade. Suas telas refletem seu espírito livre. Já expôs sua técnica em várias escolas, universidades e faculdades do país. 


Em Lençóis, no Colégio Objetivo, o primeiro onde se apresentou, causou dificuldades para as monitoras, que não conseguiam fazer os alunos entrarem nas salas de aula, já que todos queriam admirar a arte de Genarro, ricamente simples, como o próprio artista.
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