
Billy Mao
Roberto Villas Boas é um agricultor paranaense humilde que quis tentar sua sorte no interior paulista. Com 32 anos, uma esposa e dois filhos, Roberto é um assentado pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) no Assentamento Noiva da Colina, em Borebi.
Assentado há um ano, o agricultor recebeu o lote em julho de 2009 e viu um horizonte de possibilidades se abrir à sua frente. O ano de 2009 teve um período muito bom de chuvas e isso ajudou na pequena lavoura de vagem e pepinos que Roberto cultivou no lote. Próximo do Natal daquele ano, viu a fartura que uma terra bem cuidada pode proporcionar. E a necessidade passou longe do barraco de lona e plástico naquele fim de dezembro.
Acostumado a trabalhar em lavouras bem irrigadas, o assentado se viu perdido. Havia terra boa para produção, mas não tinha o essencial à vida: a água. Roberto bem sabe de suas responsabilidades como pequeno agricultor assentado. Mesmo diante de tão dura realidade tem consciência de que a terra doada é para subsistência familiar e atira: “ A terra é ótima. Sua deficiência orgânica é fácil de ser corrigida, não é uma terra difícil de trabalhar. Só que diante de uma situação dessa, a falta dágua, não podemos sair plantando cana e eucalipto, não é para isso a Reforma Agrária, nem nós queremos, queremos trabalhar a terra”, acerta.
Diante da situação, a forma encontrada pelo agricultor e saída comum para os assentados foi perfurar seu próprio poço. Na base do improviso, à mão, começou a perfurar a terra com uma escavadeira comum o que os agricultores rurais chamam de “poço caipira”. Para a sorte de Villas Boas, o primeiro poço perfurado, de dez metros de profundidade, jorrou água. Só que com as chuvas do começo de 2010, o poço desmoronou. O jeito nesta empreitada foi procurar outro lugar e começar tudo de novo.
Novamente a sorte sorriu para o agricultor que viu o líquido tão precioso brotar em sua propriedade. Mas para que a água chegasse até a nova horta preparada era preciso um esforço ainda maior; transportar em galões a água que saia do poço até as planta e depois distribuí-las no regador.
Todo o esforço empregado na tarefa começou a render para Roberto e sua família a tão sonhada renda. Seus produtos, de qualidade, orgânicos, foram bem aceitos no comercio da cidade. Borebi fica a aproximadamente quatro quilômetros da fazenda Noiva da Colina. Mas, novamente tudo se perdeu. O poço secou de um dia para o outro e lá se foi a água. A produção que ia a todo vapor minguou, como uma caatinga. Hoje, o agricultor vive da água cedida pela Prefeitura Municipal. O caminhão pipa encosta e enche os vários tambores de reserva e uma caixa d’água.
A preocupação com a terra adquirida pelos assentados é uma constante na vida desses pequenos agricultores. As áreas desapropriadas e tranformadas em assentamentos, muitas veses, ficam longe de qualquer fonte d’água, outra dificuldade que é preciso superar. O sol forte castiga a terra e a pele dessas pessoas, mas nem por isso deixam de acreditar nas possibilidades de seus futuros.
Os seis alqueires doados pelo Incra continuam sob sua responsabilidade. A infraestrutura como poços, irrigação, entre outros benefícios, chegariam até o pequeno agricultor se houvesse repasse de verba suficiente, já que, vem aumentando o número de assentamentos em todo o Brasil. A ajuda financeira recebida do Governo Federal (terceiro fomento), Roberto Villas Boas decidiu empregar a soma na construção de um novo poço e buscando apoio, mesmo que com muita dificuldade, do Incra, pretende construir também uma torre na qual o sistema de moínho aeólico, ou seja, movido através do vento, bombeará a água do poço para a superfície, e canalizada, escorrer para plantação, ajudando também a fluír, sua vida de agricultor.

