O assombro das DROGAS

Billy Mao

A equipe Multidisciplinar do Hospital Dia “Nicanor Pereira de Godoy” junto à Diretoria de Saúde Municipal de Lençóis Paulista promove no próximo dia 20 o XV Encontro de Saúde Mental. O tema deste ano é “Cuidando de Sua Saúde Mental”. O evento está programado para ter início às 8h na Câmara Municipal de Lençóis Paulista, Sala Mário Trecenti.

Este ano, a organização do encontro quer falar de saúde mental, compreendendo a saúde não apenas como ausência de doença, mas como o bem estar biológico, psicológico, social e espiritual. Serão abordados temas sobre os componentes da experiência emocional, a importância das relações familiares e sociais, do trabalho, das atividades físicas, do lazer, da religiosidade e de fatores imprescindíveis para tornar o ser humano capaz de superar situações geradoras de estresse, buscando de forma eficaz o estado de felicidade.

O Encontro de Saúde Mental nasceu, conforme a doutora Fátima Aparecida Pereira (foto), responsável Técnica do Ambulatório de Saúde Mental e Hospital Dia (HD), da necessidade de mostrar o que estava sendo feito na área de psiquiatria e saúde mental em Lençóis Paulista e principalmente para desmistificar o tratamento aplicado no Hospital Dia. “Sabíamos que o tipo de tratamento que estávamos fazendo deveria ser mais divulgado, principalmente para chegar até as pessoas que realmente precisavam dele e, acima de tudo, quebrar um preconceito existente até aquele momento” afirma a médica. Com isso, a médica e seu pequeno grupo resolveu, em 1994, fazer o primeiro encontro na cidade. Para este desafio ele contou com apoio de profissionais ligados a àrea de saúde mental para levar até à população tudo que englobava a ação feita no HD.

Passadas as primeiras edições do encontro, que serviram para informar, tanto população, quanto profissionais o que se percebeu, segundo a médica, foi um aumento de profissionais que vinham para o encontro em busca daquilo que estava sendo discutido. “Começamos perceber que a platéia foi se formando de médicos e profissionais da área em busca de novos conhecimentos, novas maneiras de levar até seus pacientes o que aplicávamos aqui. E olha, não temos nenhuma faculdade de medicina e nenhuma referência nacional. Na verdade, o que temos aqui em Lençóis é muita garra pare resolver os problemas dentro de nossa comunidade”, enfatiza.

Mas com a presença constante nos encontros de profissionais renomados, despertou na região uma participação maior. “O boca-a-boca fez com que esses profissionais esperassem a chegada da data do evento para poder participar e adquirir mais conhecimento e, ainda, esses mesmos profissionais acabaram se transformando em propagadores dos acontecimentos do evento”.

Outro ponto fundamental, levantado pela psiquiatra é o comprometimento das classes sociais. “Fazemos este encontro por nossa responsabilidade social, não só profissional. Acima de tudo, antes de sermos profissionais, somos cidadãos, por isso vemos a necessidade da participação de toda a sociedade. Temos um grande problema agora: álcool e crack. Não adianta a sociedade ficar se vendo só como vítima da violência e apontando para quem tem o problema, porque isso é assunto de Saúde Pública, não é só uma doença da área psiquiatrica, da psiquê. Não! É de toda a sociedade”, afirma.

Para a médica, a forma de alcançar e levar para o tratamento as pessoas doentes é procurar mostrar a elas que o problema existe. Isso envolve todos os grupos dos quais ela faz parte. “O caminho para mostrar a esta pessoa que ela precisa de ajuda está em todos. Na escola, o professor pode orientar, no clube o amigo deve falar sobre o assunto, o colega de trabalho tem os meios, dentro da empresa para indicar o problema e ajudar o companheiro de trabalho a procurar tratamento. Com isso, o futuro paciente se envolve e percebe que um tratamento trará a ele um estado de felicidade que não é o do vício, da doença”.

O serviço prestado pelo HD existe há 24 anos. Por isso, a médica acredita que todos conhecem o atendimento. Ela lembra que não é só o paciente que é tratado e não só a doença dependência química. “Aqui tratamos de todos, o dependente e seus familiares. Pessoas com distúrbios emocionais e outras doenças psíquicas. Por isso pedimos que departamentos de Recursos Humanos das empresas, professores e todos os ramos da sociedade participem, porque há uma troca muito grande de conhecimento e todos saem ganhando com o evento”, completa.

Um dos maiores problemas atuais da área de saúde mental, para a psiquiatra, é o alcoolismo. Empresas preocupadas com o rendimento e a saúde de seus funcionários mantém a enfermagem e aplicam a Medicina do Trabalho. Quando é detectado um funcionário com o problema o RH da empresa entra em ação para solucionar o caso. “Não é fácil para uma empresa demitir. O Senado aprovou, há pouco, uma Lei que proíbe a demissão por justa causa do trabalhador que sofre de alcoolismo. A demissão é tão ruim para a empresa, quanto para o trabalhador. Por isso é importante diagnosticar e encaminhar este paciente para o tratamento e acompanhá-lo nas consultas periódicas. Adotando essa política, a empresa evita a demissão e previne um possível acidente de trabalho, que pode ocorrer em decorrência da doença”, explica.

Para a médica, é clara a presença constante das drogas na sociedade, o aumento do consumo do crak e os males do alcoolismo e o que tudo isso acarreta. “Queremos mostrar o que tem sido feito para sanar esses problemas e lembrar que qualquer cidadão, que necessite de tratamento deve procurar o Hospital Dia. Lá ele vai encontrar profissionais comprometidos em ajudá-lo”, finaliza.

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