No final de semana do dia 22 e 23 de maio os bauruenses puderam curtir a terceira edição da Virada Cultural Paulista na cidade. O projeto do Governo Estadual Paulista, inspirado no sucesso da experiência desenvolvida na cidade de São Paulo, trouxe atrações musicais, intervenções artísticas e oficinas lúdicas gratuitamente para a população.
Neste ano, o foco foi a cidade. A idéia é que as pessoas possam curtir e redescobrir o lugar onde vivem, valorizando os seus espaços e percebendo o seu potencial. É mais um estímulo para que os cidadãos se sintam parte e contribuam para a vida cultural do seu município.
Em Bauru, foram 45 atrações, divididas em sete ambientes culturais. No palco principal, no parque Vitória Régia aconteceu a maioria dos shows e manifestações culturais. Nossa equipe de reportagem se dedicou inteiramente às 24 horas de atrações e nas próximas linhas o leitor poderá vivenciar um pouco das inúmeras sensações desse incrível final de semana.
NO VITÓRIA RÉGIA...
O sábado, 22/05, começou no parque Vitória Régia às 18 horas, com o show da banda bauruense The Almighty Devil Dogs. A banda, formada em 2003, fez uma mistura de punk-rock dos anos 70 com surf music e pitadas do cinema de horror. Com seu primeiro disco, o "Devil dogs", incendiou e abriu com muita propriedade a terceira edição da Virada Cultural Paulista.
Em seguida, foi a vez da banda Pública. Gaúcha e vencedora do VMB 2009 (MTV) na categoria Rock Alternativo, a Pública trouxe o repertório de seu segundo disco "Como num filme sem um fim". O rock and roll dos pampas levantou e esquentou os bauruenses em uma noite fria na cidade. Mesmo com uma virose e a voz rouca, depois do show o vocalista Pedro Metz conversou com nossa equipe e falou sobre a experiência do show, "Pra nós é muito importante, foi uma das coisas que viabilizou ter vindo morar em São Paulo, faz um mês que a gente está morando no Estado. O evento é um dos mais importantes aqui. Na semana passada a gente viu o evento da capital e viramos vendo shows. Eu acho sensacional".
A banda "Estéreo Terapia" tem mais de cinco anos de carreira e já dividiu palco com grandes artistas nacionais, como Los Hermanos e Autoramas. A banda foi um dos pontos altos da noite, alem de trazer melodias românticas e um rock melódico, a banda teve uma idéia que surpreendeu o público. Em determinado ponto do show, a banda, anunciou que soltaria balões com sementes de girassol para reforçar a consciência ecológica que o evento previa. As pessoas poderiam levar para suas casas as sementes ou até mesmo, deixar com que elas se cultivem ali mesmo no gramado do parque. O vocalista Josiel Rusmont conta como surgiu a idéia: "Houve uma prévia da Secretaria de Cultura de São Paulo de haver uma conscientização, de falar sobre o meio ambiente e tal. Agente tem uma música que chama "Mil Anos", que fala da eternidade, e achamos que seria legal encher os balões com sementes de girassol para que quando eles estourassem os girassóis pudessem florir".
E com espírito de consciência ecológica, a banda encerrou o seu show e mostrou que a cidade de Bauru está bem representada musicalmente.
E a noite continuou surpreendendo, em um show de aproximadamente uma hora e meia, o Ultraje a Rigor entrou no palco pontualmente à meia noite, mas devido há alguns problemas no som, os integrantes se afinaram ali mesmo e o show começou. Eletrizante, a banda que está na estrada há mais de vinte anos, continua com seu ritmo acelerado e letras divertidas. "A gente gosta de tocar e gosta de entreter. É emocionante saber que pessoas de todas as idades gostam do nosso som", diz o vocalista Roger.
A banda continuou a divertir a galera e até ensaiou em tocar o hino do São Paulo, time de futebol que o vocalista da banda torce. Quando a banda tocou um dos seus grandes hits,
" Nós vamos invadir sua praia", a galera foi ao delírio e, ao final, já no bis, a banda relembrou grandes nomes do "rock and roll", como Led Zeppelin e Ramones. Roger também falou sobre a experiência de voltar a Bauru para a Virada Cultural. "Interior paulista é casa para a gente, não é demagogia não, mas eu não ando de avião, então cada vez mais, conforme a idade avança, prefiro tocar no interior de São Paulo".
A noite terminou no Vitória Régia, mas as atrações não pararam, nosso próximo embarque é na estação ferroviária de Bauru.
ESTAÇÃO FERROVIÁRIA...
A estação ferroviária de Bauru foi inaugurada no dia 27 de setembro de 1906. Hoje a estação esta abandonada, mas alguns projetos tramitam na Câmara Municipal da cidade para que a estação torne-se sede do poder Legislativo e Judiciário.
O prédio já foi palco de muitas conquistas da cidade, principalmente na imigração, e se tornou referência por estar localizado no centro do estado de São Paulo. A estação é uma relíquia na cidade, mas ultimamente não vinha sendo tratada com o respeito que merece. A Secretaria de Cultura municipal é umas das principais incentivadoras da revitalização do projeto.
Uma das primeiras providências do governo Rodrigo Agostinho foi a reinauguração do Museu Ferroviário. Hoje, o museu agrega peças dos tempos aureos da cidade de Bauru, e têm visitas abertas à população todos os dias da semana. Mas como a Virada Cultural é um evento que agrega atrações musicais, o hall principal da estação se transformou em pista de dança.
Às duas da manhã começou o som com o Dj bauruense Fer Siqueira, passando por Dj’s de todo o Brasil. O mais interessante é que a noite contou com atrações da casa. Em uma parceria com a Out Produções, a Secretaria de Cultura organizou um line-up ( programação dos dj’s que tocaram na noite). E não deu outra, a galera ficou curtindo os sons eletrônicos até o meio dia.
Uma das atrações foi o DJ bauruense Bruno Criscuolo, conhecido como Dj Lokers. Sobre o fato de tocar com os amigos e conterrâneos ele conta: "Foi muita satisfação ver bauruenses e pessoas de todo interior curtindo conosco a Virada Cultural. Acho que falo em nome de todos, como dj e como pessoa que foi curtir, que achei o máximo. A estação ferroviária ficou lotada e a pista ferveu o tempo todo. Foi uma ótima oportunidade para nós dj’s mostrarmos nossos sons e para os bauruenses conhecê-los".
Uma das novidades foi a intervenção de vídeo mapping que os Vj’s Edgar Salmen e Vinicius Luz fizeram na arquitetura do prédio. O projeto utiliza projetores multimídia, baterias automotivas e inversores de energia. A dupla sai pelas cidades procurando monumentos e traços arquitetônicos com intuito de mostrar os prédios e monumentos públicos que muitas vezes não são notados e, com isso, causar ilusão de ótica e divertimento ao público. Edgar Salmen define bem o que a arte significa para ele: "O mercado artístico nunca foi fácil. Às vezes, você pensa em desistir. Mas temos que ser fortes. Só os que insistem conquistam um lugar ao sol".
Quase que simultaneamente aos shows, rolavam duas atrações logo após a apresentação da banda Pública. Em frente ao palco principal, os expectadores puderam ver uma bela apresentação de dança com bastões de fogo. O Liê Cultural é um grupo de Bauru, formado por artistas com habilidades múltiplas, como dançarinos, malabaristas e acrobatas. Enquanto isso, no anfiteatro do parque, artistas plásticos faziam intervenções de grafite que também impressionaram os presentes. Marina Zumi, a cima, faz parte do Coletivo 132, grupo formado na cidade de São Paulo, que está em plena atividade cultural. Marina veio da Argentina para dar o seu toque feminino ao coletivo de artistas e já está há um ano morando em São Paulo. Em entrevista, Marina traça um paralelo entre a diferença cultural dos dois países e fala sobre as mulheres no grafite: "Bueno, a cena da Argentina é um pouco menor do que no Brasil. Na real, começou nos anos 70 e 80 e haviam poucas pessoas, podíamos contar com os dedos". Sobre as mulheres no grafite diz: "Eu acho que é assim, quando o trampo é verdadeiro, não importa se é de homem ou mulher, vai sair de um jeito verdadeiro e de alma, então não importa o sexo de quem faça. E cada vez aparecem novas minas, e isso é da hora". Os trabalhos de Zumi estão no endereço: www.flickr.com/photos/_zumi_
DOMINGO DE SOL...
E não acabou por aí, voltando ao parque Vitória Régia no domingo ensolarado, foi o samba que animou os persistentes bauruenses que lotaram e fizeram a festa do domingo no parque. A criançada pode curtir com brincadeiras supervisionadas por monitores da secretaria de Cultura do Estado, enquanto rolavam os shows impecáveis.
O grupo Demônios da Garoa subiu ao palco às 15h30 pontualmente e agradou a todas as idades. O conjunto musical mais antigo em atividade do Brasil fez a galera balançar com o legítimo samba paulistano. O grupo já vendeu mais de dez milhões de cópias durante a carreira e sua marca registrada é o bom humor. Ricardo, vocalista e um dos mais novos da banda, em entrevista à equipe da megazzine falou sobre a Virada Cultural e revelou: " Vamos fazer o possível para gravar nosso DVD aqui em Bauru, o astral do show foi ótimo e se possível estaremos aqui mais vezes".
Quando a banda cantou um dos seus maiores sucesso "Trem das Onze" a galera foi ao delírio e cantou juntou com a banda, que em seguida se despediu e foi muito aplaudida.
Logo após, continuando com o samba, foi a vez de Diogo Nogueira. Carioca e filho de um dos maiores intérpretes da música brasileira, João Nogueira colocou o samba carioca em evidência. O cantor, além de sucessos de seu novo álbum "To fazendo a minha parte", cantou sucessos do pai e sambas enredos de antigos carnavais do Rio de Janeiro. Diogo ficou no palco durante quase duas horas e foi um dos melhores shows da Virada Cultural Paulista.
E a terceira edição da Virada em Bauru foi um grande sucesso. Artistas revelações e já consagrados fizeram a alegria da população de Bauru e toda a região. O incentivo do Governo de São Paulo nesta iniciativa é de se respeitar. Muito bem estruturado e com uma organização perfeita. Cumprindo as 24 horas de eventos culturais, o público se despediu e já espera o próximo ano. Com uma mistura de samba paulistano e carioca, as atrações se encerarram por volta das 19h.
De acordo com a Polícia Militar, nenhuma ocorrência grave foi registrada, apenas a sujeira de garrafas de plásticos e vidro, e muitas bitucas de cigarro deu muito trabalho para o pessoal da limpeza. O balanço geral foi positivo em todas as questões.
Reportagem especial:
Helder Fernandes de Aguiar Filho
Diego Cesário
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