EDIÇÃO #01 - Quem viu o disco?

O Universo em suas dimensões intangíveis, torna bastante provável a existência de civilizações inteligentes, em diversos níveis de evolução - moral ou tecnológica - que se valeriam das mais impensáveis estruturas biológicas e viveriam em condições inimaginá-veis para nossa visão turvada pelas conspirações do mundo moderno.

Mas, para quem avista um objeto desses, (disco voador?) como é o caso de moradores do bairro Cecap, em Lençóis Paulista, e não consegue definir do que se trata, fica a pergunta: O que isso estaria fazendo sobrevoando nossa cidade, e porque é alto esse índice de avistamentos neste local?

Será que a produção de etanol nessa região, que conta com usinas e destilarias, teria algo a ver? Para os entrevistados, (que preferiram se manter no anonimato, por isso usaremos nomes fictícios) trata-se apenas de um fenômeno ocasional. “Não acredito que isso possa ser uma espaçonave alienígena. Acho que é algum avião que procurava a pista de pouso que fica nessa direção”, diz João, apontando para o aeródromo municipal.

Para Maria, ver um objeto desses e dizer do que se trata, não é fácil. “A gente só vê uma luzinha, que muda de cor, sobe e desce, bem devagar”.

Essas duas pessoas afirmam ter visto luzes diferentes, sobrevoando os bairros entre a Cecap e o Monte Azul. Na ocasião, voltavam de uma caminhada do lado extremo da cidade, e puderam distinguir as luzes que se moviam como as dos postes daqueles bairros.

Nenhuma autoridade foi procurada nas ocasiões dos avistamentos, e apenas uma senhora afirmou, a uma emissora de rádio local ter visto tais objetos.

A dica da Megazzine é: olhe para o céu e tente ver algo além das estrelas que brilham na escuridão da noite.

Afinal, o número de estrelas, apenas na Via Láctea, pode ser comparado aos grãos de areia existentes em nossas praias terrenas.

Apesar do fato de muitas pessoas pensarem que os avistamentos de objetos voadores não identificados, ocorridos em tempos modernos, sejam objetos extraterrestres, é bem provável que se trate, apenas, de aeronaves ultrasecretas, que utilizam tecnologia ainda desconhecida pela população. O que parece ainda mais impressionante!


EDIÇÃO #01 - Rafael Castro: MPB Monumental



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esencanado do trabalho, como todo mortal, Rafael Castro achou melhor deixar de lado essa coisa de acordar cedo e aguentar o patrão, bater cartão, enfim. Só por não gostar do que fazia, “parece que minha cabeça não funcionava direito”, diz.

A música sempre correu em suas veias, desde muito pequeno, quando ouvia pelo rádio as paradas de sucesso. Sabia que aquele era o seu caminho. Fã de gibis despretensiosos, Rafael segue, mesmo sonolento, seu sonho rumo ao sucesso.

A adolescência perturbada induziu ainda mais o rapaz para o cenário musical. Aos 16 anos compunha suas canções, embalado pelo coro evangélico. Na época morava em Ibiúna, grande São Paulo. Não conhecia ninguém, não ia para a escola, não praticava esportes. Nada estava bom. Procurar uma igreja evangélica foi a salvação de Rafael. “Eu estava doidão, doente da cabeça, não conseguia sair de casa, sei lá... Síndrome do Pânico, essas coisas...”

A partir das músicas evangélicas, tão na moda hoje, sonorizou suas composições e hoje prepara seu oitavo CD independente, que não é gospel: é música de alta qualidade.

A seguir, uma desencanada entrevista, concedida a Megazzine.

Megazzine: Você é ligado à religião?

Rafael Castro: Sou Evangélico batizado, mas não pratico. Não acredito e não gosto. Eu morava em Ibiúna, não conhecia ninguém e não conseguia ir na escola, aí falei: Vou na igreja. Eu preciso de Deus, tô mal e ele vai me salvar. Fui na igreja, fiz amizades, frequentei por um ano, acho, e me batizei porque rolava um monte de música evangélica legal. Depois mudei pra Lençóis e não tinha mais os amigos da igreja. Ai me questionei e achei meio bobo isso de ir pra igreja. Em Ibiúna era um pessoal pequeno, umas oito pessoas, e era um lance de trocar idéias, não era aquela coisa mercadológica como é por aí.

Megazzine: E te ajudou?

RC: Sim, me ajudou, conheci aquela moçada e com isso comecei a tocar mais e me salvei.

Megazzine: As composições dos CDs são todas de sua autoria?

RC: As composições são todas minhas.

Megazzine: De onde vem a inspiração?

RC: Vem das conversas, sempre rola um tema bom pra desenvolver junto aos amigos.

Megazzine: Como funcionou a produção dos CDs?

RC: Não queria fazer esses papos de álbum mesmo. Pensei em fazer uns disquinhos assim: começo, meio e fim. Até agora são oito finalizados até abril.

Megazzine: Como foram gravados?

RC: A gravação é bem simples. Gravo num local sem acústica, num quarto normal. Sem qualquer aparelho pré, sempre o som cru, capto com microfone de PC. Depois eu trabalho em cima da produção com programas, plugins, e outros. Ai faço toda a mixagem do trabalho.

Megazzine: Em quanto tempo?

RC: Demoro aproximadamente seis meses pra finalizar nesse esquema.

Megazzine: O você acha da política cultural do país?

RC: Acompanho a política superficialmente. No que diz respeito à política cultural nacional acho que está rolando bonito, tá ficando legal. Tenho contato com bandas e sempre rola uns festivais, uns projetos, e a galera esta sempre amparada por alguma Lei de Incentivo. Com essas leis tem rolado coisas boas por aí e tem vindo até bandas de fora do país.

Megazzine: Como pintou o nome da banda que te acompanha?

RC: Eu quis favorecer mesmo os caras que tocam comigo. Numa brincadeira eu havia colocado Rafael Castro seus Escravos e o Henrique. Esse nome a gente usou pra tocar numa festa da Unesp, em Ilha Solteira. Foi de última hora. Mas o Henrique não gostou da brincadeira. Passado isso, resolvi fazer a antítese e coloquei os Monumentais.

Megazzine: O que pegou em SP, já que você morou lá por um tempo e voltou para Lençóis?

RC: Pegou que torceram o nariz, os caras diziam: nunca ouvi falar, pra que vou colocar isso no meu bar, não vem ninguém. Lá os caras recebem pilhas de CDs toda hora e não dá pra ouvir tudo. O que eles querem é knowhal, querem nomes conhecidos. Daí não rolou. Ficamos três meses e não arrumamos nenhum show. Só que fizemos uns amigos e a moçada começou a espalhar, a indicar a banda nos bares e preparar o terreno. Mas isso aconteceu quando a gente já estava aqui em Lençóis.

Megazzine: Como chegaram a participar do festival da Trama Virtual? Estar em SP ajudou a vencer?

RC: Não sei se isso ajudou em alguma coisa, mas durante um festivalzinho em São Paulo eu cheguei a sentar com os caras da Trama e falar um monte de porcaria, até tirar os caras: “Isso aí não vira nada não”, disse, meio revoltado. Acho que entramos porque teve alguém que indicou forte, porque é muita banda participando, né cara?

Megazzine: Por isso o nome de vocês rolou na internet?

RC: Tudo que rolou na internet sobre a banda foi após termos participado do festival da Trama. Era muita banda participando e ficamos para a final. Ganhamos com a apresentação que eles proporcionaram, e que serviu como referência para gente se apresentar em outros lugares. Tendo uma referência começou a ficar melhor o cenário.

Megazzine: Como você vê o espaço na WEB?

RC: Isso da internet é um pouco de ilusão, na verdade não funciona ainda. São poucas pessoas que acessam e vão atrás de bandas novas. A net acaba servindo mais como um meio para o cara ver sobre o artista que ele já conhece. Procurar coisa nova, mesmo, são poucos que fazem. Isso porque tem coisa muito ruim, cara. E tem pouca coisa boa.

Megazzine: Você acha possível estourar na mídia, morando no interior?

RC: É possível sim, sem sair daqui dá para fazer sucesso. Basta ter grana para bancar os jabás, entrar na grande mídia, TV, essas coisas.

EDIÇÃO #01 - Cristo não chorou

Sexta-feira, 15h45 da tarde. Atores esperam impacientes o início da quadragésima apresentação da Paixão de Cristo, em Macatuba. São aproximadamente cem pessoas envolvidas no evento maior da igreja católica.

Centenas de pessoas da cidade e da região se espremem nos limites do palco montado na rua.

A história da morte e ressurreição de Cristo é mostrada valorizando passagens marcantes do contexto. Uma criança, que ainda não sabe bem o que aconteceu naquela época, consegue, mesmo que superficialmente, vislumbrar o sofrimento nos acontecimentos destes dias. Doses de realismo são colocadas em cena e os atores interpretam, com destreza, suas incumbências.

Jesus mudou a história da humanidade pregando a bondade e o amor. Seguida por mais de dois milênios, sua história se repete ano após ano, quando é lembrada às vésperas da Páscoa. Especialmente.

Para o cristão católico a emoção toma conta de cada passagem. Nas ruas de Macatuba podia-se facilmente perceber esse sentimento. Pessoas de todas as idades não escondiam as lágrimas, escorrendo pelos rostos.

Um misto de adoração, fé, religiosidade. Mas pode ser ainda mais: imaginar o ato de traição de Judas, o sofrimento de Jesus e a própria Via Crucis nos remete ao dia-a-dia comum: a banalidade da vida por poucas cédulas de reais ou por bens de consumo não está tão distante das moedas de ouro daquela época. Até a traição nos é presente. São inúmeras as notícias sobre corrupção e desvio de verbas por parte dos nossos governantes. Os mesmos que são eleitos por nós para nos defender ou defender nossos interesses comuns. E quanta miséria ainda persiste em cada esquina. Essa talvez seja a maior traição que sofremos.

Lembrar a ressurreição de Cristo é ressuscitar todos os dias com o coração pleno de amor e dignidade. Seguir seus preceitos de bondade, independentemente da opção religiosa, nos remete a ver o próximo com outros olhos.

Na sexta-feira Santa deste ano, em Macatuba, isso foi mostrado com maestria. E assim terminou mais um dia.

B.M.

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